Quem foi Mané Gaipó Morre aos 116 anos o último cangaceiro que conheceu Lampião

Manoel Ribeiro da Silva, conhecido como Mané Gaipó, considerado o último cangaceiro vivo que conviveu diretamente com Lampião, morreu na última semana aos 116 anos, no povoado de Caraíbas, em Glória, no norte da Bahia. Indígena Pankararé, ele viveu uma das trajetórias mais longas e marcadas relacionadas ao cangaço, deixando filhos, netos, bisnetos e tataranetos.

Nascido em 20 de março de 1909, no povoado Baixa da Ribeira, em Macururé, Mané cresceu em meio às dificuldades sociais do sertão e às consequências da presença do cangaço na região. Sua família foi diretamente marcada pela atuação de Corisco, que raptou sua irmã Dadá quando ela tinha 13 anos. Dadá foi estuprada e posteriormente integrou o bando, tornando-se uma das mulheres mais influentes do cangaço.

A entrada de Dadá no grupo de Lampião fez com que toda a família Ribeiro passasse a ser tratada como alvo das volantes policiais. Os relatos históricos, registrados por autores como Sandro Lee e Frederico Pernambucano, mostram que o pai e os irmãos de Gaipó sofreram perseguições, espancamentos e torturas. Seu irmão Pedro, por exemplo, foi chicoteado, teve as unhas perfuradas e foi marcado com ferro quente.

Com o tempo, outro irmão, João Pedro Ribeiro, tornou-se o cangaceiro “Avião”, mas morreu após um disparo acidental enquanto limpava sua pistola, ainda no interior da caatinga.

A entrada de Mané Gaipó no cangaço ocorreu em 1929, quando ele encontrou o grupo de Virgulino Ferreira enquanto recolhia o gado da família. Reconhecido como irmão de Dadá e cunhado de Corisco, ele foi convocado por Lampião a integrar o grupo — convite do qual poucos conseguiam recusar. A decisão intensificou ainda mais as perseguições à família.

Meses depois, Mané decidiu abandonar o bando. Durante a preparação para o ataque a uma fazenda, aproveitou um momento em que pediu para se afastar e fugiu pela caatinga. A saída foi interpretada por Lampião como traição, e ele passou a ser jurado de morte tanto pelos cangaceiros quanto pelas volantes.

Gaipó fugiu para Pernambuco, onde se refugiou com parentes indígenas da Ilha da Missão, e retornou posteriormente para a Bahia. Sua vida começou a se estabilizar após sua irmã Dadá interceder diretamente com Lampião, pedindo que ele deixasse de persegui-lo. O capitão, que tinha respeito por Dadá, suspendeu a ordem de execução.

Mesmo livre do bando, Mané continuou perseguido por forças policiais e passou boa parte da vida se escondendo. Ele manteve contato com pesquisadores, incluindo o escritor Sandro Lee, que relatou inúmeras histórias narradas pelo ex-cangaceiro.

Mané Gaipó morreu de forma tranquila e natural, longe dos confrontos que marcaram sua juventude. Sua trajetória, marcada por violência, fuga e sobrevivência, encerra um dos últimos capítulos vivos da história do cangaço no Nordeste.

Fonte: Radar1, com informações do correio24horas

Imagens: Reprodução / Internet

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